Juiz de Fora é primeira cidade mineira a adotar o Aedes do Bem™

Bairro de Santa Luzia, uma das primeiras áreas da cidade a ser tratada com o Aedes do Bem™ (Foto: Carlos Mendonça/Secretaria de Saúde de Juiz de Fora)
Oxitec vai liberar mosquitos geneticamente modificados para combater o Aedes aegypti selvagem em três bairros do município no primeiro ano do projeto

A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, será a segunda do país a adotar o Aedes do Bem™ na luta contra o Aedes aegypti selvagem. Em uma solenidade pública realizada na manhã desta terça-feira (11), o prefeito Bruno Siqueira assinou contrato prevendo a adoção desta tecnologia em três bairros do município no primeiro ano do projeto.

O Aedes do Bem ™ – mosquito geneticamente modificado criado pela Oxitec para combater o inseto transmissor da Zika, dengue e chikungunya – será liberado inicialmente em regiões dos bairros de Monte Castelo, Santa Luzia e Vila Olavo Costa. A região a ser tratada abrange uma área habitada por cerca de 10 mil pessoas, que estarão mais protegidas contra o Aedes aegypti selvagem. “Esta é uma tecnologia inovadora e sustentável que irá se somar aos nossos trabalhos para proteger a população de Juiz de Fora”, afirma o prefeito Siqueira.

O projeto em Juiz de Fora é o segundo a ser realizado no Brasil em escala operacional.

O primeiro teve início em 2015 em Piracicaba (SP). Projetos em caráter experimental obtiveram sucesso antes disso em Juazeiro (BA) e Jacobina (BA).

Os bairros foram escolhidos pela prevalência de casos notificados de dengue. Em 2016, somente no Santa Luzia, foram notificados 925 casos da doença, em Monte Castelo, 564, e na Vila Olavo Costa, 152. Nos próximos anos, o projeto Aedes do Bem™ será ampliado para proteger cerca de 50 mil habitantes de Juiz de Fora.

As primeiras liberações do Aedes do Bem™ na cidade mineira devem ocorrer entre setembro e outubro deste ano. A Oxitec estima que, em até seis meses após o início da liberação do Aedes do Bem™,  já haja uma redução significativa na população de Aedes aegypti selvagem.

“Nosso objetivo é proteger os habitantes de Juiz de Fora, diminuindo significativamente nos bairros selecionados a quantidade do mosquito transmissor dessas doenças”, afirma Jorge Espanha, diretor-geral da Oxitec do Brasil.

Posto avançado

Para produzir os mosquitos necessários à liberação na cidade, a Oxitec implantará um posto avançado, que vai receber pupas de mosquitos geradas na fábrica da empresa em Piracicaba. Ali, as pupas – estágio de desenvolvimento logo após a fase larval do inseto – vão se transformar em mosquitos adultos, que serão soltos nos bairros selecionados.

A tecnologia desenvolvida pela Oxitec consiste em liberar mosquitos machos, que não picam, e buscam copular com as fêmeas. Uma vez fecundadas, elas dão origem a uma prole que não chega à idade adulta, fazendo a população do mosquito selvagem se reduzir drasticamente.

Essa técnica será incorporada ao programa já existente que Juiz de Fora realiza para eliminar os focos de água parada que atuam como criadouros do Aedes aegypti.

“Nosso trabalho com as ferramentas atuais, que fazem parte do protocolo do Ministério da Saúde, continua, mas a chegada do Aedes do Bem™ irá possibilitar diminuirmos drasticamente a presença do mosquito onde a tecnologia será usada”, explica a secretária de Saúde de Juiz de Fora, Beth Jucá. “E, onde não há mosquito, as doenças transmitidas por ele diminuem sensivelmente.”