Dia Mundial do Mosquito alerta para presença do Aedes aegypti em 121 países

Um mosquito da espécie Aedes aegypti: presença em escala global (Foto: Shutterstock)
Data criada para celebrar avanço científico contra malária agora inspira combate a dengue, Zika e chikungunya
Hoje, 20 agosto, é o Dia Mundial do Mosquito, criado  para celebrar a descoberta feita há 120 anos de que esse inseto é capaz de transmitir doenças. Foi em 1897 que o britânico Ronald Ross identificou mosquitos do gênero Anopheles como vetores da malária.

Em 2017, porém, a data emerge mais como uma oportunidade para alertar o planeta do que para celebrar avanços — ao menos naquilo que diz respeito ao Aedes aegypti, transmissor de dengue, Zika e chikungunya. Ao todo, 121 países e territórios já têm casos registrados de ao menos uma dessas três doenças.

Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) começou a compilar os casos globais de dengue por ano, em 2000, o vírus nunca havia se espalhado tanto. O Dia Mundial do Mosquito foi criado para celebrar um avanço na pesquisa contra a malária, que hoje infecta 212 milhões de pessoas no mundo (dados de 2015), um número preocupante. A dengue, porém, já está infectando 390 milhões de pessoas por ano, segundo estima a entidade.
A malária é mais letal que a dengue, mas a alta incidência das doenças causadas pelo Aedes aegypti o torna cada vez mais preocupante. Apenas uma pequena porcentagem de casos de dengue acaba sendo efetivamente registrada no mundo, mas se tomarmos isso como um termômetro daquilo que está acontecendo, 2016 foi o pior ano na história da doença.
Ao todo, 3,31 milhões de casos foram registrados no planeta em 2016 e notificados à OMS, quase metade deles no Brasil. Foi a maior cifra na história recente do mundo, levando em conta que o número não inclui os dados da África, onde a infraestrutura para monitorar a incidência da doença é mais precária.


O dano causado pelo Aedes aegypti, além disso, não se restringe mais à dengue. A Zika e a chikungunya — para as quais a OMS ainda não tem uma estimativa global precisa — estão avançando. No Brasil as duas “novas” doenças já representam cerca de um quarto dos casos registrados de arboviroses, a julgar pelos dados de 2016. Em 2017, a incidência da dengue no primeiro semestre teve uma queda brusca, mas é cedo para dizer ela se representa uma quebra na tendência de aumento no longo prazo. 

 O último relatório abrangente da OMS sobre controle de vetores deixa claro que países não devem reagir ao Aedes aegypti apenas quando a incidência de arboviroses está alta.
“Por décadas, a dengue e a chikungunya têm nos mostrado que reagir a um surto não é suficiente”, afirma Dirk Engels, diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS. “É hora de criar uma estratégia global que combine esforços para conter o crescente impacto e a ameaça das doenças transmitidas por vetores.”
No sexto encontro do grupo de aconselhamento sobre controle de vetores da OMS, o papel de novas tecnologias na luta contra o Aedes aegypti ficou claro.
“A pesquisa em inovação no controle de vetores é crucial para derrotar doenças”, diz John Reedr, diretor do Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais da OMS. A organização promete articular o esforço global para coordenar esses esforços. “Vamos trabalhar com a comunidade de controle de vetores para ampliar o apoio à pesquisa, monitoramento e avaliação em todos os níveis.”