Combate ao Zika agora é caminho de “longa distância”, diz OMS

Diretora-geral diz que epidemia revelou "desmantelamento de programas nacionais para controle de mosquito"

A diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, afirmou nesta semana em comunicado que o mundo precisa estar preparado para percorrer uma “longa distância” na batalha contra o Zika.

A declaração, distribuída pela médica sanitarista um ano após o vírus ter sido classificado como uma emergência de saúde de importância internacional, marca um momento em que a organização reconhece o Zika como um problema sem solução definitiva no curto ou médio prazo.

Para ela, porém, o período que transcorreu desde então fez o mundo olhar com mais cuidado para os problemas relacionados a essa epidemia.

“Assim como qualquer outro surto explosivo, o da Zika revelou falhas de segurança no preparo mundial coletivo”, afirmou. “Acesso precário a serviços de planejamento familiar foi uma delas. O desmantelamento de programas nacionais para controle de mosquito foi outro.”

Mesmo com o estado de emergência tendo sido suspenso em novembro, Chan diz que foi a coisa certa a fazer em um primeiro momento.

“Como poucas populações tinham alguma imunidade a essa doença anteriormente rara, o vírus poderia se espalhar, desenfreado, como fogo, atiçado pelo volume de viagens aéreas internacionais”, disse. “Qualquer área que abrigasse a espécie de mosquito competente, o Aedes aegypti, era considerada em risco – uma área geográfica estimada abrigando quase metade da população mundial.”

Hoje, a comunidade científica já sabe muito mais sobre a ligação entre o Zika e os problemas de desenvolvimento neural em fetos que causam a microcefalia. Alguns projetos de vacina avançam de modo promissor. Uma solução real para o problema, porém, ainda não aparece no horizonte próximo.

“Em grande parte do mundo, o vírus está agora firmemente entrincheirado”, afirmou Chan. “A OMS e os países afetados precisam lidar com o Zika não como uma condição de emergência, mas da mesma maneira sustentável com que reagimos a patógenos propensos a epidemias, como a dengue e a chikungunya, que fluem e refluem em ondas recorrentes de infecção.”

Para a sanitarista que dirige a OMS, a situação agora requer perseverança e união internacional. “Nós estamos agora no longo trajeto, e estamos todos juntos nessa“, escreveu.